
INXS
Live Baby Live (escutar o álbum)
- Formato
- CD
- Ano de lançamento
- 1991
- Gênero(s)
- Rock
- Subgênero(s)
- Pop Rock
Sobre o artista/álbum
O lançamento de Live Baby Live, em novembro de 1991, documentou o auge de popularidade e potência cênica da banda australiana INXS. Após consolidarem status mundial de gigantes do pop-rock com os estrondosos álbuns de estúdio Kick (1987) e X (1990), o sexteto embarcou na ambiciosa turnê Summer XS Tour. O projeto multimídia foi concebido em duas frentes complementares: o célebre concerto filmado em 16 câmeras de 35 mm no antigo Wembley Stadium (Londres), em 13 de julho de 1991 — data emblemática por marcar exatos seis anos do Live Aid —, perante uma multidão de quase 74 mil espectadores, e o disco oficial ao vivo.
Apesar de a versão em vídeo ter se tornado um registro visual integral e icônico daquela tarde/noite em Wembley, a edição original em CD e vinil de 1991 funcionou de maneira distinta: era um apanhado itinerante com gravações captadas em várias metrópoles da turnê mundial, incluindo Paris, Nova York, Chicago, Dublin, Sydney, Melbourne e até o Rio de Janeiro (onde a banda se apresentou no Rock in Rio II em janeiro daquele ano). O álbum contou com a produção do experiente produtor australiano Mark Opitz em parceria direta com a própria banda, com engenharia e mixagem conduzidas por Niven Garland e masterização por Leon Zervos. Apenas nas reedições e restaurações em 4K e áudio Dolby Atmos lançadas a partir de 2019 sob a tutela de Giles Martin é que a trilha de áudio passou a refletir integralmente a apresentação londrina de Wembley.
A recepção do álbum gerou debates acalorados. Críticos mais puristas, como Stephen Thomas Erlewine da plataforma AllMusic, foram duros na época, apontando que o disco parecia excessivamente polido, com suspeitas de overdubs em estúdio e edição cirúrgica que teriam drenado o vigor imprevisível de um concerto de rock. Em contrapartida, publicações britânicas e australianas exaltaram o magnetismo do vocalista Michael Hutchence e o entrosamento impecável da seção rítmica. Comercialmente, o projeto foi um sucesso: alcançou o top 3 na Austrália e o top 8 no Reino Unido, além de conquistar a certificação de Disco de Platina nos Estados Unidos pela RIAA (com mais de 1 milhão de cópias vendidas).
Entre as curiosidades mais notáveis dos créditos de estúdio está a única faixa inédita do repertório: "Shining Star", gravada especificamente para encabeçar o álbum como single promocional. Registrada nos estúdios Metropolis em Londres, a faixa contou nos vocais de apoio com a participação de um jovem músico australiano em início de carreira, o futuro astro country Keith Urban. A formação clássica da banda reuniu a assinatura inconfundível de Michael Hutchence (voz principal), os três irmãos Andrew Farriss (teclados e guitarras), Tim Farriss (guitarra solo) e Jon Farriss (bateria e percussão), além de Kirk Pengilly (saxofone, guitarra base e vocais de apoio) e Garry Gary Beers (baixo).
No alinhamento musical, destacam-se hinos com forte pulso rítmico de funk-rock e new wave que incendiaram as arenas, como "New Sensation", "Need You Tonight", "Suicide Blonde" e "What You Need", contrapostas à intensidade emocional dramática de "Never Tear Us Apart" e "By My Side". A turnê e o registro consagraram Michael Hutchence no panteão dos maiores frontmen de estádio da história do rock moderno, combinando sex appeal, domínio vocal e uma presença hipnótica antes da trágica decadência e perda do cantor anos mais tarde.
🎧 Artistas e discos similares
• Midnight Oil – Scream in Blue: Live (1992): Contemporâneos conterrâneos do circuito de pubs australianos, traz o vigor explosivo do rock de arena de sua terra natal, contrastando a sensualidade do INXS com forte engajamento político e guitarras cortantes.
• Duran Duran – Arena (1984): Compartilha o mesmo DNA da new wave dançante britânica e australiana dos anos 1980, unindo ganchos pop com bateria eletrônica, saxofone e forte apelo visual de seus vocalistas.
• The Power Station – The Power Station (1985): Supergrupo formado por Robert Palmer e membros do Duran Duran e Chic, que sintetiza exatamente a mesma fusão de funk, guitarras pesadas e grooves de arena que consagrou o som do INXS.
• Icehouse – Man of Colours (1987): Expoente fundamental do synth-pop e new wave australiano, transitou entre arranjos sofisticados com saxofone e canções melódicas com o mesmo refinamento estilístico de época.
• Simple Minds – Live in the City of Light (1987): Registro definitivo do rock de estádio do final dos anos 1980, com baterias amplas, teclados espaciais e a presença cativante do vocalista Jim Kerr, rival direto do INXS nas paradas internacionais.
• Robert Palmer – Heavy Nova (1988): Álbum que combina o requinte do pop adulto com a pegada de guitarra sincopada e batidas dançantes urbanas, estilo muito próximo ao explorado nas composições da dupla Hutchence/Farriss.
• Tears for Fears – Going to California (1990): Fase em que a banda britânica adicionou elementos soul e funk ao rock sofisticado, aproximando-se do balanço pop refinado e da grandiosidade dos palcos do INXS.