
Arnaldo Antunes
- Formato
- CD
- Ano de lançamento
- 1998
- Gênero(s)
- MPB
- Subgênero(s)
- Pop Rock
Sobre o artista/álbum
Lançado em agosto de 1998, "Um Som" é o quarto álbum de estúdio da carreira solo de Arnaldo Antunes. O projeto marca um ponto de inflexão decisivo em sua trajetória: se os primeiros discos solo pós-Titãs (Nome, Ninguém e O Silêncio) colocavam o experimentalismo concreto e a desconstrução formal em primeiro plano, Um Som encontra o ponto de equilíbrio exato entre a vanguarda sonora e a comunicabilidade pop, como sintetiza a emblemática faixa de abertura, "Música Para Ouvir".
Com produção musical de Chico Neves — figura central da virada estética e eletrônica da música brasileira dos anos 1990 —, o disco foi concebido como um laboratório de timbres. Neves combinou programações digitais, sintetizadores analógicos (como Mini-moog) e manipulações sonoras com uma formação orgânica de peso.
A espinha dorsal das gravações reuniu instrumentistas fundamentais da vanguarda e do pop nacional: as guitarras e violões de Edgard Scandurra (companheiro recorrente e guitarrista do Ira!), a percussão refinada e polirrítmica de Marcos Suzano, o baixo e vocais de Paulo Tatit (Palavra Cantada) e a bateria de Pedro Ito. O álbum ainda trouxe participações de Davi Moraes, Pedro Sá, João Barone (Paralamas do Sucesso), Moreno Veloso (tocando prato e faca), Toninho Ferragutti (acordeom), Paulo Freire (viola de dez cordas) e da cantora suíço-turca Saadet Türkoz.
A identidade visual, com arte de Barrão e Fernanda Villa-Lobos sobre fotografia de Bob Wolfenson, retrata Arnaldo com uma lente de aumento na orelha diante de um alto-falante, materializando a proposta do disco: um convite à escuta atenta, detalhista e sem barreiras de gênero.
Faixas de Destaque e Repertório:
• "Música Para Ouvir": Parceria com Edgard Scandurra, serve como manifesto estético do álbum, unindo groove minimalista a versos reflexivos sobre o ato da escuta.
• "As Árvores": Colaboração luminosa escrita em parceria com Jorge Ben Jor, combinando cadência suingada e lirismo ecológico.
• "Socorro": Parceria antológica com a poeta Alice Ruiz. A canção já havia sido gravada com enorme sucesso por Cássia Eller no álbum Veneno AntiMonotonia (1996), e ganhou em Um Som a interpretação definitiva e visceral de Arnaldo.
• "Cinzas": Releitura inspirada do clássico soul de Cassiano, demonstrando a versatilidade de Arnaldo como intérprete do cancioneiro negro nacional.
• "Além Alma": Letra assinada ao lado de Paulo Leminski, reforçando a ponte indissociável entre poesia concreta e canção popular em sua obra.
• "Doce do Mar" e "Volte Para o Seu Lar": Faixas que expandiram o vocabulário pop do disco, sendo que a última traça linhas diretas com o universo que desaguaria anos depois nos Tribalistas.
A recepção de Um Som foi amplamente positiva. A crítica especializada destacou a capacidade do álbum de soar contemporâneo e sofisticado sem perder o calor melódico. Críticos notaram que o trabalho funcionou como a consolidação de Arnaldo Antunes no cenário musical fora da sombra dos Titãs, provando que sua veia poética e experimental podia se traduzir em arranjos acessíveis e dançantes.
Com o tempo, o disco passou a ser visto como a ponte essencial entre a experimentação radical da fase inicial solo e os grandes sucessos dos anos 2000 (como Par paradeiro, Tribalistas e Saiba).
🎧 Artistas e discos similares
Com base no cruzamento de características estilísticas (fusão de MPB, poesia falada, pop rock alternativo e texturas eletrônicas dos anos 1990) presentes em plataformas de mapeamento e afinidade musical:
• Edgard Scandurra – Benzina (1996): Trabalho solo do guitarrista em seu alter ego eletrônico, compartilhando a mesma busca por texturas digitais e guitarras rítmicas com produção de Chico Neves.
• Lenine – O Dia em Que Faremos Contato (1997): Obra-prima contemporânea a Um Som, que também une percussão brasileira avançada (Marcos Suzano), beats eletrônicos e refinamento lírico.
• Carlinhos Brown – Alfagamabetizado (1996): Apresenta experimentação pop, polirritmia percussiva e pesquisa de linguagem; parceiro frequente de Arnaldo e elo direto para o que viria a ser os Tribalistas.
• Péricles Cavalcanti – Blues do Emblema (1999): Contemporâneo e parceiro de composição de Arnaldo, compartilha o espírito vanguardista da canção paulistana e o diálogo constante com a poesia.
• Pedro Luís e A Parede – Astronauta Tupi (1997): Mistura de batuques graves, programações eletrônicas, ironia e spoken word, com grande proximidade estética e de público na efervescência musical dos anos 90.
• Chico Science & Nação Zumbi – Afrociberdelia (1996): Marco do movimento Manguebeat que dialoga diretamente com a fusão orgânico-eletrônica e a percussão inventiva capitaneada na época por Chico Neves.
• Adriana Calcanhotto – Público (2000) / Maritmo (1998): Álbum contemporâneo focado em eletrônica sutil, texturas litorâneas e poesia minimalista com estética pop sofisticada.