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Arnaldo Antunes — Iê Iê Iê

Arnaldo Antunes

Iê Iê Iê

DigipackArtista Nacional
Formato
CD
Ano de lançamento
2009
Gênero(s)
MPB
Subgênero(s)
Funk, Pop, Pop Rock

Sobre o artista/álbum

💽Iê Iê Iê

Lançado em 2009, "Iê Iê Iê" ocupa uma posição singular na discografia de Arnaldo Antunes. Após uma trajetória solo marcada pelo experimentalismo poético, pelo concretismo visual e por momentos de pop eletrônico ou acústico, Arnaldo decidiu homenagear o rock brasileiro dos anos 1960. O projeto mergulhou nas matrizes da Jovem Guarda, da surf music, dos bailes de garagem e do início dos Beatles, reinterpretando essas influências com a sensibilidade pós-tropicalista do compositor.


Gravado e mixado entre agosto e outubro de 2008 no Totem Estúdio, em São Paulo, pelo engenheiro Yuri Kalil, o álbum teve a produção musical capitaneada pelo guitarrista e compositor cearense Fernando Catatau (líder da banda Cidadão Instigado). A escolha de Catatau foi crucial para a identidade sonora da obra: em vez de soar como uma mera réplica nostálgica dos anos 60, as faixas ganharam guitarras cortantes, timbres analógicos empoeirados, órgãos vintage e uma urgência rítmica contemporânea.


O disco reuniu um time estelar de instrumentistas e colaboradores da cena brasileira:

• Edgard Scandurra (Ira!) nas guitarras e violões de 12 cordas;

• Curumin na bateria e percussões;

• Betão Aguiar no baixo elétrico;

• Marcelo Jeneci no órgão, teclados e arranjos de piano;

• Chico Salem e o próprio Catatau nas guitarras complementares.


Além das sessões principais no Totem, faixas como Longe e Invejoso contaram com gravações adicionais no estúdio particular Jenecine, aproveitando a assinatura harmônica e instrumental de Marcelo Jeneci.


Faixas de Destaque e Parcerias:

As composições do álbum mostram a versatilidade de Arnaldo em articular ganchos radiofônicos com lirismo afiado:

• "Envelhecer" (parceria com Marcelo Jeneci e Ortinho): tornou-se um clássico instantâneo da carreira solo do cantor, tratando a passagem do tempo com despretensão, leveza existencial e refrão contagiante.

• "A Casa É Sua" (com Ortinho): canção acolhedora que ganhou grande apelo popular e presença constante em seus shows.

• "Invejoso" (com Liminha): faixa enérgica com congas de Michele Abu e guitarras entrelaçadas de Scandurra e Catatau, explorando a ironia das relações humanas.

• "Iê Iê Iê" (com Marisa Monte e Carlinhos Brown): a faixa-título carrega a assinatura dos Tribalistas, fundindo o pulso do rock sessentista com a métrica pop dos três compositores.

• "Longe" e "O Que Você Quiser": números que expõem a influência direta de baladas e do rock melódico da década de 1960.


Iê Iê Iê foi recebido com entusiasmo tanto pela crítica especializada quanto pelo público. A recepção destacou a habilidade do artista em resgatar a ingenuidade estética dos primórdios do rock brasileiro sem soar caricato, amparado pelo vigor da cozinha rítmica e pelos arranjos inventivos da banda.


O trabalho rendeu a Arnaldo uma indicação ao Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro e inspirou uma turnê que mais tarde resultou no registro em vídeo Ao Vivo Lá em Casa (2010). 2009 foi um ano prolífico para o ex-Titãs: paralelamente ao lançamento do álbum, ele publicou o livro de poesia n.d.a. (indicado ao Prêmio Jabuti) e integrou o projeto infantil Pequeno Cidadão.

🎧 Artistas e discos similares

Com base no perfil sonoro (pop/rock com guitarras sessentistas, arranjos de órgão, letras poéticas e fusão com a MPB contemporânea) e dados de plataformas como Last.fm, Chosic e AllMusic:

1. Cidadão Instigado – Uhuuu! (2009): Lançado no mesmo ano e capitaneado por Fernando Catatau, divide a mesma linguagem de guitarras psicodélicas, órgãos analógicos e desconstrução do rock clássico.

2. Marcelo Jeneci – Feito pra Acabar (2010): Jeneci é coautor e tecladista chave em Iê Iê Iê; seu disco de estreia traz a mesma sensibilidade melódica pop e calor de arranjos.

3. Erasmo Carlos – Rock 'n' Roll (2009): O padrinho do iê-iê-iê nacional reinventando o gênero no mesmo período, trazendo peso de banda e abordagem lírica madura.

4. Wanderléa – Feito Gente (1977): Marco de transição em que uma figura central da Jovem Guarda fundiu a urgência do rock com a densidade da MPB autoral.

5. Edgard Scandurra – Amor Incondicional (2006): Traz as linhas melódicas de guitarra e a estética mod/garageira do instrumentista que é peça fundamental nos timbres de Iê Iê Iê.

6. Ortinho – Ilha do Destino (2006): Compositor pernambucano e parceiro central de Arnaldo em faixas essenciais do álbum (Envelhecer, A Casa É Sua), unindo psicodelia, pop e canção regional.

7. Curumin – JapanPopShow (2008): Trabalho do baterista e percussionista do disco, misturando a precisão rítmica com influências retrô e urbanas.

8. Nando Reis e Os Infernais – Sim e Não (2006): Compartilha a herança titânica de composição pop-rock direta e o diálogo afetivo com o público brasileiro.

Faixas