← Voltar ao acervo
The Beatles — 1967-1970

The Beatles

1967-1970

CD duploDigipack
Formato
CD
Ano de lançamento
1973
Ano de relançamento
2010
Gênero(s)
Rock
Subgênero(s)
Pop Rock, Psychedelic Rock

Sobre o artista/álbum

💽1967-1970

Lançada em abril de 1973 pela Apple Records, a coletânea dupla "1967–1970" — universalmente consagrada pelo público como o "Álbum Azul" (The Blue Album) — documenta a fase de maior maturidade criativa, ousadia sônica e complexidade estrutural dos The Beatles. Lançado simultaneamente com seu irmão gêmeo, 1962–1966 (o "Álbum Vermelho"), o disco captura a transição definitiva do quarteto de Liverpool da psicodelia sinfônica para o rock cru e as grandes baladas que selaram o fim do grupo.


A gênese de 1967–1970 não nasceu de uma celebração comemorativa planejada com antecedência, mas sim de uma manobra defensiva comercial e jurídica. No início da década de 1970, circulava ilegalmente nos Estados Unidos uma caixa pirata chamada Alpha Omega, vendida massivamente via comerciais de TV e rádio.


Para conter o avanço do mercado pirata e recuperar o controle sobre o catálogo oficial, o então empresário da Apple Records, Allen Klein, articulou o lançamento de duas antologias duplas e autorizadas abrangendo os dois grandes arcos da banda. O "Álbum Azul" cobriu do seminal compacto "Strawberry Fields Forever" / "Penny Lane" até as gravações finais de Abbey Road e Let It Be, consolidando-se como o documento definitivo do auge artístico do grupo.


Produção e Músicos :

• Músicos Principais: John Lennon (vocais, guitarras, teclados), Paul McCartney (vocais, baixo, piano, teclados), George Harrison (guitarras, vocais, cítara) e Ringo Starr (bateria, percussão e vocais).

• Músicos Convidados Históricos: Destacam-se as participações fundamentais de Billy Preston no piano elétrico em faixas como "Get Back" e "Don't Let Me Down" (o único músico a dividir crédito oficial de single com o grupo), e de Eric Clapton, que gravou o icônico solo de guitarra não creditado em "While My Guitar Gently Weeps".

• Produção e Engenharia: A grande maioria das faixas traz a assinatura de George Martin, o visionário arquiteto de arranjos orquestrais e colagens sonoras do quarteto. A exceção notável fica para as faixas de Let It Be (como "Across the Universe" e "The Long and Winding Road"), que contaram com a produção e os arranjos Wall of Sound de Phil Spector.


A capa exibe os quatro músicos debruçados na varanda da sede da EMI em Londres (Manchester Square), fotografados por Angus McBean em 1969. A foto recria de forma idêntica o ângulo da capa de estreia, Please Please Me (1963), ilustrando de maneira explícita a transformação visual e humana dos rapazes de terno nos cabeludos e barbudos ícones da contracultura. Essa imagem de 1969 havia sido produzida originalmente para o projeto descartado do álbum Get Back.


A foto do encarte duplo (gatefold) foi tirada durante a lendária sessão fotográfica "Mad Day Out", realizada pelas ruas e parques de Londres em 28 de julho de 1968.


Faixas de Destaque:

- "A Day in the Life": O ápice orquestral e conceitual da parceria Lennon/McCartney, unindo duas melodias inacabadas em uma suíte com crescendos caóticos de 40 músicos clássicos.

- "Strawberry Fields Forever": Pioneira do rock psicodélico, notável pela fusão audaciosa de George Martin de dois takes gravados em velocidades e tons distintos, amparados por Mellotron e violoncelos.

- "Hey Jude": Balada monumental de mais de sete minutos com um dos refrões/mantras mais universais da história da música popular.

- "While My Guitar Gently Weeps" e "Here Comes the Sun": Faixas que consolidaram George Harrison como compositor no mesmo patamar de Lennon e McCartney.

- "Come Together": O groove arrastado de baixo e bateria gravado em oito canais para Abbey Road, um clássico do hard/blues rock moderno.


A compilação alcançou o #1 na Billboard 200 dos Estados Unidos e o segundo lugar no Reino Unido. Ao longo das décadas, atingiu status de diamante múltiplo (mais de 17 milhões de cópias vendidas mundialmente).


A recepção crítica histórica é unânime: portais como AllMusic, Rolling Stone e Blender classificam o disco com pontuação máxima, destacando que 1967–1970 opera não apenas como coletânea comercial, mas como a mais rica síntese da era de ouro do rock clássico. Em novembro de 2023, o álbum ganhou uma reedição expandida com novas mixagens estéreo e a inclusão de "Now and Then", faixa resgatada de uma demo caseira de John Lennon e finalizada com o auxílio de tecnologia de isolamento de áudio.

🎧 Artistas e discos similares

Pesquisas em plataformas analíticas como AllMusic, Last.fm, Chosic, Music-Map e catálogos de MPB psicodélica apontam os principais elos estilísticos (pop psicodélico, rock de estúdio, arranjos orquestrais barrocos e pop progressivo):

• The Beach Boys – Pet Sounds (1966) / Sunflower (1970): Principal influência e contraponto criativo direto dos Beatles nos jogos vocais complexos e inovações de gravação em estúdio.

• The Zombies – Odessey and Oracle (1968): Gravado nos mesmos estúdios Abbey Road logo após Sgt. Pepper, equilibra harmonias vocais refinadas, teclados barrocos e psicodelia elegante.

• Badfinger – Straight Up (1971): Contratados da própria Apple Records, apadrinhados por McCartney e Harrison; são os pioneiros do power pop com melodias de linhagem beatle límpida.

• Klaatu – 3:47 EST (1976): Trabalho de pop progressivo/espacial que soava tão idêntico à fase final dos Beatles que a imprensa da época chegou a levantar o rumor de que se tratava de uma reunião secreta do quarteto.

• Harry Nilsson – Nilsson Schmilsson (1971): Amigo íntimo e colaborador de Lennon e Starr, mesclou orquestrações primorosas, humor mordaz e pop melódico sofisticado.

• Electric Light Orchestra (ELO) – A New World Record (1976): Jeff Lynne levou adiante a proposta do rock com cordas clássicas e arranjos sinfônicos derivada diretamente de "I Am the Walrus" e "Strawberry Fields Forever".

• Os Mutantes – Mutantes (1969) / A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado (1970): O maior expoente do Tropicalismo e da psicodelia brasileira, combinando a irreverência de Lennon e McCartney com guitarras distorcidas e arranjos barrocos de Rogério Duprat.

• Clube da Esquina – Clube da Esquina (1972): A obra-prima de Milton Nascimento e Lô Borges absorveu a sofisticação harmônica de Abbey Road e White Album, fundindo-a à tradição cancioneira mineira, jazz e MPB.

• XTC – Skylarking (1986): Produzido por Todd Rundgren, resgata o espírito pastoral, barroco e psicodélico de 1967 com composições inteligentes e detalhismo acústico.

• Oasis – Definitely Maybe (1994) / (What's the Story) Morning Glory? (1995): A linha de frente do Britpop noventista, com Noel Gallagher traduzindo os acordes abertos, ganchos melódicos e peso de guitarras do repertório pós-1968.

Faixas